Livro propõe análise etnográfica sobre conquistas da população LGBT

Propor uma análise etnográfica das trajetórias que levaram à consolidação de direitos pela população LGBT. Este é o mérito de Fazer-se no “Estado”, de Silvia Aguião, lançamento da Editora da UERJ. Em sua pesquisa, a autora analisa os elementos que formam o grupo de forças que vem lutando pela legitimação da coletividade LGBT, incluindo não apenas pessoas, mas também documentos, agentes e políticas públicas.

A luta por visibilidade e reconhecimento de direitos, capitaneada por diferentes agentes da sociedade civil, do Estado e da universidade, foi vital para que o Estado incluísse a população LGBT em seu espectro de políticas públicas. Este é o enfoque do livro que, embora escrito em 2018, pode deflagrar uma reflexão sobre o momento atual, em que reverberam discursos conservadores.

Vale ressaltar que a pesquisa voltou-se não só para os processos de legitimação da coletividade LGBT, mas também para as dinâmicas específicas que marcam as peculiaridades de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, observados como segmentos dessa coletividade.

A autora seguiu três caminhos. A primeira baseou-se no levantamento de documentos relevantes para o processo de construção da população LGBT para o governo brasileiro. Incluem-se nessa categoria programas e planos de governo, anais de eventos, decretos, portarias e outras iniciativas registradas. Entre elas, a que cria o programa federal Brasil sem Homofobia (em 2004).

O segundo enfoque da pesquisa está relacionado à organização de seminários, palestras, congressos, e eventos que mobilizarem representantes da academia, do ativismo e de segmentos do governo e de outras esferas políticas em torno da temática LGBT. Essas foram oportunidades de se perceber como se delineava as relações e a interação entre os participantes/representantes e maneira como articulavam suas propostas.

Por fim, a terceira entrada de análise foi a que se deteve sobre a implementação do programa Rio sem homofobia e também da criação de Centros de Referência de Promoção da Cidadania LGBT, fruto de convênio entre e a UERJ e a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro.

Fazer-se no Estado integra a coleção Sexualidade, gênero e sociedade, publicação da Editora da UERJ em parceria com o Centro Latino-americano em Sexualidade e Direitos Humanos (Clam).

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