Dica de leitura (2)

A copa do mundo começou agora, mas no país do futebol este assunto é apreciado o ano todo. A empolgação cresce conforme são geradas cenas que enlaçam o esporte com a população. Falar de futebol vai além de comentar os dribles e o placar final, é também saber discutir seu papel dentro da sociedade e desconstruir ideias criadas pelo senso comum.

O livro “Futebol, Jornalismo e ciências sociais: Interações”, organizado por Ronaldo Helal, Hugo Lovisolo e Antonio Soares, publicado pela EdUERJ em 2011, mostra a amplitude do fenômeno futebolístico. A obra propõe relacionar o futebol à expressão cultural, ressaltando o lugar do jogo nas interações sociais. Os autores analisam a forma como o futebol passou a ser retratado por literatos, intelectuais e jornalistas de prestigio na sociedade desde 1920. A simbologia acerca do futebol brasileiro colaborou para que se construísse uma nação mais original, fora dos moldes europeus.

É abordada a influência da imprensa, mas não só a brasileira.Trechos de reportagens publicadas originalmente em periódicos como El País e O Clarín demonstram como os jornais uruguaios moldaram o discurso de acordo com a situação. Por exemplo, durante a Copa de 70, a imprensa que vinha enaltecendo o futebol apresentado pela seleção brasileira reviveu a rivalidade da final da Copa de 50, de modo a transformar o novo confronto entre Brasil e Uruguai em um momento dramático e recheado de simbologia. Após o embate, o time brasileiro, no entanto, readquiriu a admiração dos uruguaios, apesar de algoz da seleção celeste. O episódio demonstra como a imprensa colabora para a construção de memórias, estereótipos e elementos nacionais de identidade coletiva.

Os capítulos contêm uma revisão geral e crítica da literatura no campo acadêmico sobre o futebol e analisam a construção da identidade cultural do brasileiro. Esta leitura é indicada, especialmente, para este momento de Copa e para aqueles que desejam uma compreensão do futebol sob o prisma das ciências sociais.

Escrito por Carolina Oliveira sob supervisão de Ricardo Zentgraf.

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