Uma entrevista que merece ser lida com os olhos de hoje

Lançado em 2002, Celso Furtado entrevistado por Maria Andréa Loyola e Aspásia Camargo é o terceiro título da Coleção Pensamento Contemporâneo. O livro apresenta uma entrevista realizada originalmente em outubro de 2001em que o economista revê uma trajetória profissional que dialoga com períodos diversos da sociedade brasileira. Afinal, o entrevistado foi titular do Ministério do Planejamento durante o Governo João Goulart e Ministro da Cultura do Presidente José Sarney. Além disso, escreveu trabalhos como Formação econômica do Brasil, livro de cabeceira de muitos intelectuais brasileiros.

Para contextualizar melhor, a publicação da EdUERJ saiu durante o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Diante desse cenário, o entrevistado falou de política, economia, história e sobre a elite e os intelectuais brasileiros.

As ponderações de Celso Furtado permanecem atuais? Reproduzo aqui um trecho da entrevista. O leitor do nosso blog poderá julgar melhor ao conferir todo o conteúdo do livro, que está disponível gratuitamente para download.

Segue abaixo uma questão sobre desigualdade social:

Maria Andréa Loyola: Num de seus artigos, o senhor levanta uma ideia muito interessante quando compara os países ricos e pobres. Pelo que o senhor fala, tenho a impressão de que certos países do Terceiro Mundo estariam fadados a viver eternamente o problema da desigualdade social e, sobretudo, da distância social. Nesse mesmo artigo, se não me engano, há uma relação com a análise que o senhor faz de Tóquio, da economia japonesa. O senhor diz que esse fato estaria ligado, em certa medida, ao problema da ordem social. Como o senhor vê isso no que se refere ao Brasil? É um ponto de fato importante?

Celso Furtado:  Na verdade, a tendência à heterogeneidade social e estrutural é uma marca do subdesenvolvimento. Só podemos enfrentá-la com procedimentos políticos. Isso não é assunto para o mercado. O grande erro do Brasil nos últimos anos tem sido superestimar a importância do mercado. O fundamental num país em construção é sua estrutura, pois se a heterogeneidade social aumenta, a sociedade está condenada à estagnação. O país está cada vez mais frágil e parece estar se preparando para uma crise grave.

Celso Furtado entrevistado por Maria Andréa Loyola e Aspásia Camargo não deve ser encarado apenas como uma simples entrevista realizada há mais de uma década, pois assim correria o risco de ser rotulado como anacrônico. Na verdade, trata-se de um pequeno livro de história, e, por isso, é recomendável para aqueles que pesquisam a sociedade brasileira, em suas múltiplas ramificações. Para estes, também indico alguns títulos recentes da Coleção Pensamento Contemporâneo, com nomes como Adib Jatene, Joaquim Barbosa e Leôncio Rodrigues.

Baixe aqui Celso Furtado entrevistado por Maria Andréa Loyola e Aspásia Camargo.

Confira a página da Coleção Pensamento Contemporâneo.

 

Ricardo Zentgraf

 

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